Todos que assistem a redes de TV abertas estão vendo uma investida fenomenal na elevação moral do ofício de professor por parte de propagandas bem intecionadas do Ministério da Educação.
Esta propaganda pode ser vista em sítios web, periódicos nacionais e locais, rádios, outdoors… e mais uma centena de peças publicitárias em diversos suportes. O impacto destas propagandas junto aos profissionais parece ter efeito pífio e retorno menor ainda para o Estado.

Burnout-Queimando-se.
É verdade que o investimento em Educação, digo contratação de professores, criação de escolas, abertura de novas universidade e cursos neste país, como houve no governo Lula, ocupa grande destaque diante da nossa história recente. No entanto, a educação básica, onde está o ensino fundamental e médio, passam ao largo em termos de investimentos suficientes. Sobretudo no ítem recursos humanos: vide salário.
O modelo administrativo e pedagógico da educação Estatal Brasileira mantém, nitidamente, estrutura e práticas incompatíveis com o mundo contemporâneo. Seu descompasso pode ser notado e interpretado em diversos indicadores: evasão, repetência, violência estudantil, redução drástica na busca pelas licenciaturas, abandono de carreira.
Estes elementos que acima se apresentam são o reflexo de um modo de educação pautado pela ordem capitalista, sobretudo na fomra atual. Me refiro não a questão de ordem econômica, mas a questão da cultura e do ser humano necessários para alimentar esta ordem. As escolas e mesmo universidades já não convencem mais de sua utilidade. Apesar de milhões transitarem em seus corredores anos a fio, seja de qual classe social for.
Contudo não há educação sem gente, e no nosso caso, o professor é a questão agora do texto. Assim apresentamos a SINDROME DE BURNOUT, esta é uma patologia eminentemente contemporânea, identificada na década de 1970 por Freudenberger, H. J. nos Estados Unidos da América. Atinge principalmente profissionais de educação e saúde.
Seus sintomas, variando para cada pessoa, em geral são:
Insatisfação;
Medo;
Ansiedade;
Variação de comportamento;
Exaustão física/emocional;
Despersonalização/agressividade;
Diminuição da realização e produtividade profissional;
A literatura é vasta, os casos são incontáveis e na educação, junto a profissionais docentes se alastra quase como uma epidemia.
“Um estudo feito em outubro pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) revelou que 48% dos 52 mil professores de 1.440 escolas no País sofrem com algum sintoma da doença, como sensação de vazio, comportamento irritadiço e esgotamento nervoso. E mais: 25% deles – o equivalente a um em cada quatro – apresentam o quadro completo da doença.”
A mudança do modelo educativo brasileiro é necessária. Professores cada vez mais abandonam a profissão, ou ficam doentes por ela. Cada vez menos jovens querem ser educadores. Uma educação castradora, exigências desumanas e pedagogias autoritárias conjugam com outros sujeitos, adjetivos e verbos uma verdadeira crise no sistema educacional.
A crise educacional não é apenas brasileira e reside também no chamado Velho Mundo. É o caso da França, onde estudantes recebem prêmios como ingressos para jogos, e mesmo dinheiro. Lá, como aqui, também o modelo já não consegue convencer a juventude no sentido de permanecer nas escolas para crescer e ser útil ao capitalismo. Também não convence professores, que adoecem, suicidam-se… abandonam a carreira.
Imaginemos juntos… Brasil, país de analfabetos ainda! Também o Estado paga para os estudantes, a Bolsa Escola, que ao contrário da França, será gasto na maior parte das vezes para comprar comida, e não ir ao cinema, ou mesmo comprar livro. Ainda assim, ouvi falar que no interior do país não tem professores, sobretudo graduados. Também dizem que quando tem uma quadra, um campinho, um rio, lagoa, cano quebrado, os estudantes ou ficam no caminho, ou pulam o muro para ir banharem-se, brincarem… pois na escola só se aprende com seriedade.
Aqui não se buscou convidar os professores a abandonarem suas carreiras, nem aos jovens boicotarem as licenciaturas. A não ser que fosse em pró de uma luta, de mudança da atual educação para uma outra, para uma que dialogasse não exclusivamente com o mundo do trabalho. Que estipulasse o ensino-aprendizagem humanos para sua felicidade e bem estar, não como projeto de futura aposentadoria aos 65 e 70 de idade, mas durante o processo.
Parábens resistentes professores.