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Archive for janeiro \02\UTC 2012

O nosso tempo.

Mobilizado pelo sentimento de parte do mundo na possibilidade de um novo ano novo, tendo como destinatários os queridos amigos, parceiros, paixões e amores, oferto, com leveza e alegria os meus sentimentos, e uns dois pensamentos sobre os momentos festivos das celebrações cristãs e “capetalistas” nos nossos diversos espaços, etnias, fés, gêneros, sexualidades, famílias, desgarrados e deserdados do mundo normal e feliz.
Mutante eu, mutandis pessoas, sempre, e o mundo, as coisas, os sentimentos, as estruturas, os princípios também cambiam juntamente. Não farei um relato balanceando os prós e contras do meu ano, pois este não começou e terminou segundo o calendário gregoriano. Meu ano, meus meses, dias e horas, tiveram sim, deslocamentos, fases, círculos, espirais, etapas, movimentos, trilhas, imagens marcantemente emocionais, afetivas, amorosas, racionais que me invadem seja involuntariamente ou propositalmente.

Inegavelmente me entreguei a furar as ondas e nadar contra as correntezas, comprei o peru e jantei com minha amada e distante família, comprei o pernil e ceiei na companhia de gentes queridas, alegres, e apaixonantes. Natal e passagem para novo ano, dentro de mim, teem outros significados, outras vivências, outras ideias, nem mais nem menos, apenas outros, que guardei e guardo, desta vez para eu poder ir vivendo um tanto mais aquilo que sou e quero me tornar.

São os encontros e desencotros vivenciados que me conquistam, abrindo e fechando possibilidades. Decididamente meu ano sou eu e minhas relações apaixonadamente vividas ou não.

Estes tempos atuais a solitude me conquistou, e potencializou em transas de noites longas de insônia, vezes acompanhado e outras sozinho, a aproximação comigo mesmo. Encontrar e construir pontes, estradas, veredas, criar pinturas, crônicas, contos, poemas e então gozar o fato de estar vivo, fora e dentro de uma apatia que sinto em todos os lados, mas, que ao enxergar-la, a vida ficou mais leve para mim, e eu mais potente. para dançar.

Escaramuças escolhidas, agora são poucas e divertidas, consegui me movimentar para outros pontos  e multiplicar o olhar sobre você, sobre a cidade, sobre a esquina da R. Gomes Freire com a R. Mem de Sá, sobre o que importa, até enxergar o nada e começar a preenche-lo. Até me olhar de fora para dentro e deixar o espírito livre para partir em busca de novos mundos e gentes, e amores, e amigos, e paixões.

Gozo bebendo vinho, este me alegra, me inebria, me deixa leve e apaixonado pela humanidade que teima em ser demasiadamente humana, e que odeio sem forças suficientes para abandoná-la. Esta mensagem poderia seguir então em qualquer momento do ano que eu declarasse um novo tempo de uma vida nova. Mas não é assim que funcionou, que funciona. Outra vez penetrei nas ondas turvas do natal e nadei contra as correntezas do novo ano, e pela segunda vez, lá dentro eu estava vivo, racionalmente vivo, afetivamente vivo.

O sobrinho Pedro pede para ir a praia, digo que vou, ele volta após meia hora e pergunta qual a praia, respondo, Leme, ele sai e volta duas horas depois, e pergunta que horas vamos a praia, respondo que estou escrevendo. Os quereres, realizados ou não,  marcam e demarcam mudanças, novos e velhos tempos.

Penso, alguns muitos poucos no planeta querem outro mundo e outras relações, estamos nos encontrando, nos dispondo, nos dedicando. Arestas não deixarão de existir, mas todos estamos revisitando o desejo de estarmos juntos de alguma maneira, e esta maneira é particular, e pode encontrar expressão além da apatia destronando o rei de cinco cabeças, a Majestade Monolito: elites, estados, religiões, capetalistas, serviçais. Como em outros tempos o Sr. da Destruição faz soar da sua trombeta a música da destruição ouvida nos continentes e cidades da nossa amada e detonada Terra, enquanto nos subterraneos, mulheres e homens dão a luz a novas e originais histórias de sonhos prenhes de vida.

O foco é bom para nos perder, mas o trabalho é tudo pra nos fazer sonhar, criar, realizar, brincar, amar, apaixonar-se. E o silêncio quando honesto e digno não é mais que uma oferta de outros diálogos.

Bem vindos a um novo dia. Bem vindos ao viver. Bem vindos às lutas. Bem vindos aos quereres. Bem vindos aos sonhos. Bem vindos ao trabalho. Afeto é Tempo. Sentimento é o que marca e muda. Grato ao tempo. Mais um dia e novamente a sorte está lançada.

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