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Archive for fevereiro \08\UTC 2012

Tenho observado governos por todos os continentes e noto que está sendo estabelecida uma bipolaridade quanto aos partidos que governam, ou não, um país, um estado ou município.

Agora com a greve dos PMs na Bahia, greve na França, greve na Grécia, primaveras árabes,  Ocupa Rio, Acampada Sol na Espanha,  é nítido o tratamento que governos de direita ou de esquerda dão aos seus patrícios, qual seja, simplesmente, ouvidos de mercador. Onde uma reivindicação entra por um ouvido e sai, imediatamente, por outro.

Muitos de nós já sabemos como se estrutura e opera o capitalismo. Alguns já fizeram sua escolha pelo capitalismo, consciente ou não, outros simplesmente vivem, e poucos estão se lixando para onde caminha a sociedade, a humanidade, outros vivem, ainda, o devaneio de um capitalismo de face humanizada ou de bem estar social, neste caso, tanto faz esquerda ou direita, ambas são e podem ser boas gestoras da organização social-política-econômica capitalista de incremento da classe média.

Acompanhando o caso Pinheirinho e Greve da PM baiana, no primeiro caso o governo federal silenciou e no segundo articulou envio de tropas federais das forças armadas e força nacional, dizem que para pacificar o movimento. Já sabemos que o movimento de greve da polícia baiana tem como uma de suas motivações a aarticulação nacional em busca da conquista de um piso salarial nacional para bombeiros e policiais. O que isto os faz pensar em relação ao governo central brasileiro?

No Brasil somos herdeiros e descendentes de tradições autoritárias militaristas. Outros países também o são, contudo fomos colônia muito tempo, e hoje somos uma das maiores economias relativas do planeta. O que não credencia o povo e o país, a nação a ser primeiro mundo.

Aqui temos na pauta das gavetas do congresso nacional iniciativas diversas com projetos de desmilitarização das polícias, que hoje são legalmente forças auxiliares do exército, e que por isto, não podem fazer greve, e suas reivindicações são como que cães ladrando para o trio elétrico do chiclete com Banana. E porque não desmilitarizar as polícias? Já não temos forças armadas e vivemos numa democracia onde ocupamos a sexta economia mundial e a classe média cresce cada vez mais?

A esquerda no poder acusa a direita na oposição de tentar desestabilizar o seu governo em decorrência de disputas eleitorais vindouras para pleitos municipais. E não é que pode ser até verdade. Mas não absolutamente! Neste jogo entre os dois pólos de poder que governam vários países, é fato social e histórico que o trabalhador é colocado em segundo plano.

Os farsantes, de ambos os lados do poder concentram discurso no conservadorismo, ao acusar o uso da violência e de armas contra a população e de coagir os mandatários do Estado. “Me façam uma garapa”, a polícia é composta por trabalhadores sim, e com regime jurídico e posição distintas de outros profissionais. E nada, nem ninguém pode e deve aliviar para quem saca de seus instrumentos de trabalho contra o cidadão. Mas, devemos fazer a pergunta: sacar das armas, invadir universidade, bater em professores para acabar com greve docente é legal quando é com ordem do Governador, do seu Secretário de Educação e Segurança?

Diante de mentiras e farsas tantas, a pergunta que não quer calar e não será silenciada, é, qual o princípio que mantém o Estado e o sistema político eleitoral que retroalimenta o estado nacional de direito democrático? Justiça, Igualdade, Liberdade?

 

Contudo, nós sabemos bem o que está acontecendo, é que o Estado está sem sua força bélica e corre o risco de perder milhões sem o carnaval, que a iniciativa privada usa recursos públicos em benefício privado e está em vias de perder bilhões, se, simplesmente adiarem o a folia momesca baiana. Isto implica, dirão os idiotas de esquerda e/ou direita no plantão: vai afetar a economia já precária e precarizada de Salvador e da Bahia, pois, a renda do carnaval incrementa a esta economia em somas desconhecidas até então. As mentiras e as ilusões usadas para manter tudo como está, já não adiantam mais. Sabemos que não querem largar o osso e que o povo não passa da “pipoca” que serve de coadjuvante e mão de obra barata para trabalho de pagem de turistas, classes média e média alta no maior carnaval de rua do mundo.

Basta de jogos políticos/partidários. As negociações foram reabertas. Agora é hora de nós todos, o que se chama sociedade, dizermos fim a polícia militar exigindo e propondo a criação de uma nova forma de política pública de segurança voltada para proteção do cidadão e em defesa da justiça social.

Definitivamente, como ser a sexta economia planetária e não distribuir a renda e criar trabalho, investir em educação, saúde, segurança, cultura, ciência? Pois bem, as arrecadações de impostos bateram recordes, a balança comercial é favorável, a geração de riqueza se diversifica cada vez mais e cresce quase no mesmo montante. Por outro lado, os trabalhadores amargam e sofrem com os salários aviltantes, com a cobrança de taxas e serviços exorbitantes.

Não precisa ser profeta, mas, vai chegar o momento que direita e esquerda não serão mais necessários para governar. Um estado que não serve a seu povo, é contra este povo. E a este povo é justo libertar-se.

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Há treze dias estou em Salvador, minha amada capital da província da Bahia onde este ano passo minhas férias mais longas desde que voltei a morar no Rio de Janeiro.

A recepção dos amigos ao longo de três dias me acolhendo com carinho e festa desembocou na doce e reveladora festa de Janaina, coroada com a presença de familiares que há muito não encontrava.

Entre recepção de amigos e reencontro com familiares, os pronunciamentos foram unânimes sobre a condição de Salvador: a cidade está devastada. O que vi com os próprios olhos: ausência de iluminação, transporte coletivo precário, metro inacabado, ruas cheias de buracos, praças, ruas, avenidas sujas, privatização de espaços públicos para carnaval, para flanelinhas, para empresas de estacionamento, usuários de drogas entregues à própria sorte, desemprego, saúde e educação precarizadas, e a segurança pública, a beira de um colapso, o que se concretizou na virada entre 01 e 02 de fevereiro.

Deflagrado o movimento grevista dos policiais e bombeiros, os ladrões “pés de chinelo” de plantão saíram em busca das oportunidades, e numa destas a esposa de um amigo é furtada antes de chegar a festa da Rainha do Mar.  Um número. Pais e mães atentos e exageradamente zelosos ligam para avisar os filhos que honram Iemanjá, acerca dos arrastões e saques generalizados na noite e madrugada. A tensão toma conta de todos. Mas ainda há policiamento nos focos festivos do Rio Vermelho. O que não se pode dizer de outras tantas áreas da cidade: Liberdade, Itapoã, Ilha de Itaparica, Lobato, Itapagipe, Pituaçu.

Pouco, ou muito pouco, pedem os praças para sí. São trabalhadores como tantos outros, de um setor precarizado na prática, e cobrado como agentes de instituições dinamarquesas. Não são efetivamente santos, e possuem uma distinção considerável em relação a um professor, um gari, um médico, um agrigultor. São herdeiros históricos, no nosso Brasil, do que se convencionou chamar de milícias e capitães do mato, são descendentes diretos das ditaduras de Vargas e dos Generais, que tanto perseguiram, torturaram, assassinaram outros concidadãos em conluio com as forças armadas que agora os reprimem nos umbrais do legislativo baiano.

Bem, então hoje fui a Catu, cidade da região metropolitana de Salvador, onde tive meus melhores dias como docente. Uma simples questão bancária me levou até lá, e para minha surpresa, a polícia militar está em greve, surpresa sim, pois o Secretário de Segurança e a Casa Civil da Bahia negam a adesão em massa ao movimento grevista. O que em leituras de jornais da Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, mais notícias de amigos, já chegou a: Feira de Santana, segunda maior cidade do estado, Conquista, Itabuna, Paulo Afonso, cidades de porte médio. Voltei então para Salvador, pois o banco estava fechado por falta de segurança, há, o clima na cidade era tenso, as pessoas caminhavam rapidamente tocando seus afazeres intentando logo estarem “seguras”.

Em Salvador, rodoviária no clima de sempre, com exceção de militares do exército e policiais militares que se misturavam ao frenético ir vir dos milhares de viajantes. Na passarela, o andar dos transeuntes era apressado e com pouca ou nenhuma conversa, nas plataformas de ônibus e na frente ao shoping, mais militares do exército e também um caminhão militar que trazia a troca da guarda. Isso, a guarda que nos protege de nossos concidadãos “bandidos, sequestradores, assassinos, maníacos”. Outra vez mais, na história do povo baiano e brasileiro, a questão social é tratada como questão policial.

Exceto por um detalhe, o parágrafo acima poderia prescindir deste que segue. A Bahia é governada pelo Partido dos Trabalhadores. Esperava-se não apenas pelo histórico do partido, mas de seus integrantes eleitos, inclusive o governador, mais assessores, uma tomada de posição que afirmasse a cidadania e a justiça social pautada na escuta de uma greve legítima, e que por princípio, é direito de todos trabalhadores.

Mas não, longe do seu povo, nas camarilhas do poder, é vedado o diálogo com grevistas da PMBa, paralelo, negociam um injusto acordo repressivo: poder federal, estadual e municipal, convocam as forças armadas e a força nacional de segurança. Desta feita, o Partido dos Trabalhadores e as forças conservadoras a ele aliadas, repete o método há séculos aplicado no período colonial, imperial, republicano, ditatorial (aqui com requintes de perversão).

Incluo nas reflexões a posição que o povo brasileiro e baiano estão tomando. Nós somos nossos verdadeiros defensores, nós somos nossa segurança, nós somos nossa justiça. Calar, trancar-se em casa, ir ao shoping assistir um filminho e jantar aquele macarrão de 15 conto, não vai ajudar a este povo, esta nação se tornar mais livre e independente de uma organização injusta e autodestrutiva.

Então, não há dignidade em empunhar armas contra seu povo, contudo, isto há muito é feito para reprimir greves de vários setores como de professores ou de petroleiros. Não há justiça em impedir o direito de ir vir de uma população de trabalhadores pobres e precarizados, tanto quanto os PMsBa. Não há fraternidade em se criar falsas dicotomias entre bem e mal que tornam a greve, a questão social, uma operação de guerra.

A sociedade avança, os trabalhadores avançam, os sindicatos avançam, pois sempre mudam, a contradição vivida por estes policias, pela classe média, pelo governo…, precisa chegar a um termo. De outra maneira teremos o indesejável. Ou alguém realmente acredita que está em curso uma revolta ou revolução? Talvez uma ginástica sócio-político-educativa para todos, indicando os lugares a que todos neste momento da primeira década do segundo milênio se encontram. O que nos ajudaria sim a encontrar rumos melhores pra nossas vidas miseráveis de pobres compradores de queijo, dentaduras e rapidinhas em motéis baratos.

Acredito que só a liberdade é o princípio em que a justiça e a razão podem ser assentadas para efetivamente o trabalhador, policial e outros tantos conquistem seus direitos e criaem outros tantos. Repito: a questão social não é uma questão policial, quanto mais, uma questão de guerra.

Ps.: A título de proposta, sugiro encher a caixa de emails do responsáveis políticos por esta situação exigindo urgentemente a abertura de negociações, anistia relativa aos grevistas, contemplação da pauta básica do movimento com relação a melhores condiçoes de trabalho, e aceitação das exigências salarais prementes na pauta de greve.

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