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Archive for the ‘Especiais’ Category

Olá, inclui mais duas páginas no Algarobytes. Agora teremos uma página para contos e outra para crônicas. Nelas serão publicados os contos e crônicas meus e de outros autores, assim como notas sobre contos e crônicas como forma de expressão.

Dessa maneira acredito dá o destaque necessário ao carinho que tenho por estas duas formas literárias apaixonantes e tão ligadas ao nosso atual mundo. Espero contar com sua leitura e críticas, para ampliar e aperfeiçoar o blog e também minhas experiências literárias.

Logo estarei publicando um velho novo conto, há muito escrito e nunca publicado, inclusive, o mesmo certa vez fora aprovado para publicação em revista de letras na UNEB-Campus II, onde graduei, apesar de selecionado pelo conselho editor depois foi censurado pela direção do Curso, o considerando pornográfico e inadequado.

Penso que não será aleitoriamente que este será o primeiro conto, a partir deste, outrora, censurado, hoje marco o início de mais uma caminhada nas veredas da literatura, tanto pelo conto, como pela literatura.

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Coevo

Estupor

O Coevo

esse súbito não ter

esse estúpido querer

que me leva a duvidar

quando eu devia crer

esse sentir-se cair

quando não existe lugar

aonde se possa ir

esse pegar ou largar

essa poesia vulgar

que não me deixa mentir

(Leminski)

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Sono, muito sono. Logo que entrei no ônibus que me levaria à Nova Iguaçu para assistir a uma peça fui domado pelo cansaço de várias noites de boemia e delírio.

Ar condicionado no máximo, reggae no volume mais alto. Recostei entre duas poltronas e assim adormeci. Poucas pessoas no ônibus. Vez ou outra, durante a viagem, acordava e sonolentamente observava a longa via expressa margeada por habitações populares e favelas, a frente um engarrafamento longo que se espiralava tanto quanto a reflexão da vida.

Logo quando entrei no ônibus, seu odor me invadia com o cheiro do mofo, que é peculiar de ônibus bastante usado e com poucos cuidados de higiene.

Chegamos em Nova Iguaçu, esta parte da cidade é bem popular, comum de qualquer periferia semi-urbanizada em qualquer cidade em região metropolitana do Brasil. Ruas escuras, algumas destas sem saneamento básico, sem água potável. Cenário conhecido pessoalmente por poucos e renegado por muitos.

Deitado nas poltronas, olho a rua, o bairro, as pessoas sentadas na frente de suas casas. Algum aroma!? Anda e balança o ônibus. Uma menina corre no corredor do ônibus em movimento ou parado, o banheiro sujo e com seu perfume saltando esbravejante a cada pessoa que vai mijar. Erupção de sensações, sentimentos. É a primeira vez que estou numa cidade da Baixada Fluminense. Incrível, por sua disparidade estética e condição material: mais uma cidade do interior, periferia da Cidade Estado do Rio de Janeiro.

Eu criança, adorava festas, vivi todos os dias de minha tenra idade com contentamento, alegria, felicidade, brigas, banhos em olhos d’água, vagens, rios, correndo em direção contrária a escadas rolantes. Fiz minha primeira viagem sozinho para Salvador com 10 anos de idade, evidente que o motorista, amigo da família, me observou todo o caminho, e aventura maior então ocorreu ao descer na rodoviária e seguir para pegar o buzú, com minha pequena mochilinha, só, fui para a Ribeira, onde morava minha Tia Zefa, irmã de Painho.

Admirado! Admirando, mirando. O meu pequeno mundo de home de calça curta agora tinha se expandido. O mundo então havia sido conquistado, jamais imaginara que estaria agora, falando do cheiro do quitute mais delicioso de minha infância, memória atávica que brotou provocada nesta viagem inusitada para um lugar jamais pensado ou imaginado: Nova Iguaçu, tão nova e feia, tão Iguaçu e linda.

Canudinho, ummm, que delícia, senti seu cheiro e logo a saliva me dava o preciso sabor desta iguaria feita com fina massa para pastel, enrolada em forma de canudo espiralado, deixando seu interior oco, e onde os mais deliciosos e delirantes sabores de pastinhas doces e salgadas recheavam a minha vida. Vida de um degustador voraz de quitutes, de canudinhos. ]

Tenho de parar agora, essa estória toda acaba com o cheiro e o sabor de um canudinho feito com pasta de quitute bovino com ervilhas, milho e algum coentro.

Resta-me aprender a fazer o canudinho recheado para meus sobrinhos, meus filhos… e para a amada que se vem chegando um dia.

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CARRANCAS DO RIO SÃO FRANCISCO

Limpei minhas botas, estou indo ao encontro do sertão, e caminhar na beira de meu Velho Chico, volto dia 26 para a capitáá da barroca província querida.

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Seminário!

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BASTA!!!

Vida e Morte - Morte e Vida

Paul Cézanne

Vida e Morte: sensação, condição, circunstância, passagem, tristeza, felicidade, espírito, ser, corpo, memória, história, ausência, lembrança, sofrimento.

Mudança? Permanência? Um limiar: margens, rio… encruzilhadas, curvas, veredas… andanças…

Já se completam mais que trinta dias do falecimento de meu pai. Foi uma grande batalha, primeiro vencer o medo de uma cirurgia, depois a corrida desesperada por doação de sangue, pois o de meu Pai é um tanto raro, depois a cirurgia e a desconfiaça sobre hospital, médicos.

Quem não se sente pelo menos desconfortável em colocar sua vida nas mãos de estranhos, ou conhecidos?! Sobretudo médicos: geralmente também conhecidos como mercenários.

Cirurgia feita, a morte, dois dias depois, numa quinta-feira, quando ele sai da Unidade pós cirúrgica.

Ele queria viver muito mais, poderia ter vivido algum tempo mais, eu queria que vivesse muito tempo mais. Não há culpados?

Sabem, a vida humana hoje mais que em qualquer outro momento humano não vale quase nada. Somos tratados pelo que possuímos e pelo poder que temos: dinheiro ou amizade, com os dois melhor ainda o tratamento.

Todo ser humano tem direito a saúde e a vida. Não é isso que acontece, então julgo e condeno um dos culpados: políticos do Estado Brasileiro, ou matadores em série, que desviam dinheiro do cidadão para fins particulares, gerando miséria na saúde, na educação, na dignidade e na cultura.

Palvras são tão fortes quanto facas e tiros que penetram o corpo o fazendo sangrar. Mas a morte, morrer, estar morto, isto é inefável. Não é um corpo afinal e somente, é o meu pai; fiquei descontrolado, atordoado, confuso, abutres queriam ganhar seu dinheiro. Sim, hospital, cirurgia, saúde, morte também são negócio, mercadorias  e lucros.

Hospital é uma tragicomédia, médicos e enfermeiras, tendo morrido o paciente, simplismente querem se ver livres de mais um óbito, um corpo que entra para estatística. Filhos, netos, esposa sequer contam com atendimento psicológico ou de assistência social. Este é o hospital de referência na Bahia em cirurgias cardiácas, de pontes de safena?

Este texto vem sendo gestado pelo menos há trinta dias. Como perdi as estribeiras e quero o concluir, cá estou.

Agradeço a todos amigos e desconhecidos que partilharam, batalharam comigo e minha família pela saúde e vida de meu amado Pai.

Se puderam doar sangue, façam. Se puderem doar órgãos façam. Se puderem amenizar o sofrimento da pessoa querida, façam. Se puderem estar juntos dos que amam em situações em que estes se encontrem fracos, estejam.

Somos humanos, entre outros motivos, por amor.

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