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Archive for julho \28\UTC 2010

Pascal Renaux

Não trabalhe, para:
políticos profissionais;
para exploradores;
para amores,
para paixões,
para depressões,
para parar.
saia do lugar, olhe em outra direção,
contemple o absurdo óbvio.
trabalhe… ou não trabalhe…
abandone a rotina que alimenta a loucura e mate a doença.
caminhar é um bom exercício…
poesia também pode trazer prazeres destruidores do mundinho rídiculo de medidas, moralidades, maquinações.
quem sabe um verso sobre paixão, ou simplismente apaixonado,

não destrua uma candidatura de presidenciável, ou de senador, ou deputado, ou governador….

quem sabe, quem sabe meu amigo Everaldo?

quem sabe um verso que cante olhos negros e cabelos sarará, encante…

quem sabe simplismente não renda uma boa trepada…

quem sabe amigo Everaldo…

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Sono, muito sono. Logo que entrei no ônibus que me levaria à Nova Iguaçu para assistir a uma peça fui domado pelo cansaço de várias noites de boemia e delírio.

Ar condicionado no máximo, reggae no volume mais alto. Recostei entre duas poltronas e assim adormeci. Poucas pessoas no ônibus. Vez ou outra, durante a viagem, acordava e sonolentamente observava a longa via expressa margeada por habitações populares e favelas, a frente um engarrafamento longo que se espiralava tanto quanto a reflexão da vida.

Logo quando entrei no ônibus, seu odor me invadia com o cheiro do mofo, que é peculiar de ônibus bastante usado e com poucos cuidados de higiene.

Chegamos em Nova Iguaçu, esta parte da cidade é bem popular, comum de qualquer periferia semi-urbanizada em qualquer cidade em região metropolitana do Brasil. Ruas escuras, algumas destas sem saneamento básico, sem água potável. Cenário conhecido pessoalmente por poucos e renegado por muitos.

Deitado nas poltronas, olho a rua, o bairro, as pessoas sentadas na frente de suas casas. Algum aroma!? Anda e balança o ônibus. Uma menina corre no corredor do ônibus em movimento ou parado, o banheiro sujo e com seu perfume saltando esbravejante a cada pessoa que vai mijar. Erupção de sensações, sentimentos. É a primeira vez que estou numa cidade da Baixada Fluminense. Incrível, por sua disparidade estética e condição material: mais uma cidade do interior, periferia da Cidade Estado do Rio de Janeiro.

Eu criança, adorava festas, vivi todos os dias de minha tenra idade com contentamento, alegria, felicidade, brigas, banhos em olhos d’água, vagens, rios, correndo em direção contrária a escadas rolantes. Fiz minha primeira viagem sozinho para Salvador com 10 anos de idade, evidente que o motorista, amigo da família, me observou todo o caminho, e aventura maior então ocorreu ao descer na rodoviária e seguir para pegar o buzú, com minha pequena mochilinha, só, fui para a Ribeira, onde morava minha Tia Zefa, irmã de Painho.

Admirado! Admirando, mirando. O meu pequeno mundo de home de calça curta agora tinha se expandido. O mundo então havia sido conquistado, jamais imaginara que estaria agora, falando do cheiro do quitute mais delicioso de minha infância, memória atávica que brotou provocada nesta viagem inusitada para um lugar jamais pensado ou imaginado: Nova Iguaçu, tão nova e feia, tão Iguaçu e linda.

Canudinho, ummm, que delícia, senti seu cheiro e logo a saliva me dava o preciso sabor desta iguaria feita com fina massa para pastel, enrolada em forma de canudo espiralado, deixando seu interior oco, e onde os mais deliciosos e delirantes sabores de pastinhas doces e salgadas recheavam a minha vida. Vida de um degustador voraz de quitutes, de canudinhos. ]

Tenho de parar agora, essa estória toda acaba com o cheiro e o sabor de um canudinho feito com pasta de quitute bovino com ervilhas, milho e algum coentro.

Resta-me aprender a fazer o canudinho recheado para meus sobrinhos, meus filhos… e para a amada que se vem chegando um dia.

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Verde…

Pode ser que esteja diante de duas belas  luzes verdes

Ou diante de dois sedutores abismos verdejantes.

Me cegarei com as luzes ou me atirarei nos abismos

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