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Archive for the ‘Poéticas’ Category

 

Conta a lenda que
dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

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o MAU

O mal

não tem raízes-se.

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O filho de José

Vão!
Celebra teu nascimento mesmo depois de morto
Observas: comer e beberem com fartura em torno de teu nome
Cadáver insepulto que busca avidamente o amor de leais serviçais.
Ser pútrido que caminha solitário entre bares maquinando barganhas de falsos sentimentos de carinho e amor com os potentes criadores.
Besta
Bosta
Bundão
No lugar do seu sentir, um contrato social;
No lugar do raciocinar uma pseudo-ideologia para amar.
Volta e vem ver como tudo a sua volta o quer vivo para torturar e matar.

(JCANETO)

Inspirado nos poetas Salgado Maranhão e Zeh Gustavo.

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Bota marrom,

Calça azul

Bata branca,

Derme de sexta

Livre boemia

epiderme do vadio.

Batom vinho,

Tenis branco

Vestido de chita vermelho com margaridas brancas.

Real

atravessamento provocando fantasias alimentadoras de invencionices,

é doce gozar de sí, consigo e contigo.

Amargo ir levado de metrô, entre linhas que me deixam trilha de migalhas nos subterrâneos da superficialidade de uma memória de alcova.

Eu fui

Ela foi

outra sexta,

quem sabe desta sexta?

Bata azul

Calça preta jeans

Bota preta

Derme

e vísceras sentimentais vulgares expostas no asfalto a beira da sarjeta de um bar, onde se escutam idiotas falando de seus nunca feitos, e mil projetos de fazer da sua vida obra de arte com auxílio de mecenas.

Idealizações costumeiras e insatisfatórias solapam a rotineira festa, e tangem a todos para a lama universal do reinventar-se entre bares e mais andanças em busca de paixões, que residem nas sujas ruas vazias de profundidaes cheias de amores queridos, os quais Narciso não divide.

Todos em celebração, hoje o coração não se engana!

Puxa, por que tanto me assedia a realidade?

Porque não me abraça a vadia imaginação amante e comigo dança um baião na praça Paris? E aí gozamos Lapa Glória adentro como feirante que vendeu até a xepa.

Bluza vinho, chale de renda violeta com franjas amarelas,

Colada nas pernas grossas a calça jeans preta

Sapatilha prateada com flor violeta na ponta

Odores e cor de cafeína reluzem de suas unhas.

Quem sabe desta sexta? ?

Vadiagem na Guanabara,

paixões e amores tão duradouros como luzes neon em noites de neblina de inverno.

Nova sexta virá… e a razão não explicará,

Os sentidos da nudez das palavras escamoteiam entre o eu e o nada, tudo e todas.

Amor?

Mais uma estúpida sexta gelada por favor.

Neo-clássico extemporâneo

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Ulisses

Pancadas das pisadas criando trilhas vermelhas nas caminhadas de onde se enxerga somente a bata azul.

A ousadia de andar pelo desconhecido com calça branca, até as profundezas dos buracos da antimatéria.

E no arrebol terrestre é parido do ventre insano da Razão os dois filhos do seu amante Delírio: Medo e Amor.

Os Estados sempre quiseram matá-los.

As grandes corporações ainda não conseguiram lucrar com eles.

Segue a humanidade como deuses, titãs, mitos a fugir de ambos.

Medo e Amor.

 

Victor Macunaíma

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Margem

Lápis

Que é um lápis?

cona.

Vão chamado,

um tradutor,
uma ponte,
falo.
Chegança,
arma,
pensamento,
hora.

Distração.

Partida.
Encontro,

solitude.

Lápis, Página; palavra:

Imagine…

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Elogio da loucura

Certo rapaz de longos braços e barbas

viu qualquer coisa que nenhum mortal jamais

nem pressentiu ou saberá

pois o certo rapaz – que pena! – jamais

voltou para contar.

De Cacaso em Lero-Lero.

 

 

Imagem

Foto João Tempo

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