Feeds:
Posts
Comentários

Archive for junho \12\UTC 2011

Democracia?! Ideal legado pela amada Grécia, no período antigo, teve em Péricles, um dos filhos de Atenas, o seu mais explícito entusiasta e realizador, tornando-o digno de lembrança.

Péricles governou Atenas por trinta anos,  as realizações e o grande desenvolvimento intelectual, artístico e material jamais tinham sido experimentados por seu povo. A democracia ateniense tinha algumas características nítidas, e para muitos, atualmente insignificantes: uma delas se refere ao conceito de cidadão, que são exclusivamente os homens filhos de pai e mãe ateniense; outra característica era o escravismo, os escravos vinham de guerras ou de dívidas; também o trabalho (manual) era considerado atividade menor.

Bombeiros do Rio de Janeiro após longo tempo recebendo migalhas como soldo decidiram levantarem-se e exigir, como trabalhadores e cidadãos brasileiros, salários dignos para uma vida íntegra e honesta, assim como manda a religião, a ciência, a nossa constituição. Os heróis, como assim são reconhecidos e se auto entitulam foram presos e agora estão soltos e sendo processados.

Homenagem às lutas para conquista de liberdades.

Médicos, dos hospitais do Rio de Janeiro, também com salários que são na verdade esmolas, decidiram juntarem-se aos heróicos bombeiros. Recordemos ainda que a classe ligada a saúde não conta com tamanha popularidade junto a sociedade fluminense nem junto à sociedade brasileira. Então não custa nada engrossar as fileiras dos bombeiros, que são heróis, e de quebra os médicos ganharem um pouco de simpatia e talvez uma reposição salarial, pois aumento real, creio que nenhum político deseje efetivamente oferecer.

Por fim, a mais nobre, elegante e desprezada categoria da educação estadual também vem a engrossar as fileiras do “apoio” aos bombeiros, pegar a “ponga” e agregar algum valor pra si, ou mesmo, fazer-se enxergar.

Professores, que, respectivamente, recebem menos que Bombeiros e Médicos, na esteira dos efervescentes acontecimentos com os nosso heróis “vermelhos” , decretaram greve por tempo indeterminado. Como se alguma greve se iniciasse com a definição de início, meio e fim.

Então houve a primavera Árabe em 2011, os ventos do Levante sopraram por toda a Europa e o que se chama política ganhou mais um capítulo na sua longa trajetória. Varridos, destronados ou mesmo abandonados os tronos de ditadores, califas ou xeques, por uma onda avassaladora de liberdade. O Oriente Árabe ofereceu ao mundo um evento histórico e contundente, de como o desejo de liberdade e justiça são superiores a qualquer dogma.

Jovens, idosos, crianças do Ocidente europeu erguem os olhos na direção do céu do Oriente numa noite de lua crescente, e são envolvidos pelo desejo e pela necessidade de também se levantarem de suas poltronas onde antes assistiam TV, e seguem para as praças afirmando: é preciso recriar, é preciso reinventar, é preciso criar, uma nova política, uma nova democracia, uma nova sociedade que sirva à vida, ao homem, à felicidade.

Enquanto isso na cidade maravilhosa do Rio. Rio ironicamente com a notícia do “O Globo”, em 11/06/2011:

Taxa de incêndio é usada para custear viagens de oficiais do Corpo de Bombeiros ao exterior e construir pontes ( http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/06/11/taxa-de-incendio-usada-para-custear-viagens-de-oficiais-do-corpo-de-bombeiros-ao-exterior-construir-pontes-924666066.asp#ixzz1PC4LHalR )

© 1996 – 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.
Também existem outros gastos questionáveis, como troca de carros oficiais, aumento irreal de “salário” para parlamentares e outros de alto escalão do executivo municipal, estadual e federal. Não que todos, vejam bem, todos trabalhadores: pedreiros, escritores, pintores, bombeiros, intelectuais, professores, atores, jornalistas, sexólogos… não devam obrigatoriamente ganhar ótimos salários.
O que temos diante de nós é o bom e velho capitalismo liberal democrata, que preconiza que todos têm direitos iguais, contudo nem todos podem e devem ter acesso a todos os bens produzidos pela ciência, a economia, as artes, a educação, a saúde, a ousadia…
Assim, como em Atenas no governo do “esperto” Péricles (entre 443 a.C e 429 a.C), ele afirmava que as mulheres, os escravos e os estrangeiros não eram cidadãos. Não é difícil entender que, para nossa democracia liberal capitalista tupiniquim, há que existirem escravos, sim, pois estes ainda existem aqui no interior do Estado Fluminense, e Brasil de sul ao norte, trabalhadores de tantas classes quanto os números naturais: diarista/doméstica; médico público/médico privado; professor público/professor privado; bombeiros privados/bombeiros públicos, políticos profissionais/políticos cidadãos.
Desta forma quando iremos a rua para reclamar a beleza e a justiça coletivamente? De outra maneira, quando gozaremos da cara dos políticos e da atual política nacional ao soprarmos seus castelos de dólares e euros escondidos em cuecas, ou em bancos suíços? Quando escreveremos os nomes injustiça, corrupção, injúria, alienação, politicagem nas areias da Princesinha do Mar para serem tragadas por uma ruidosa gargalhada de onda gigante que as apagará de nossas vidas?
É só questão de quando e onde. Pois, o por que? Este já sabemos.
Anúncios

Read Full Post »